terça-feira, 13 de setembro de 2011

O injustiçado Vista

Hoje é um consenso que o Windows 7 apagou a ruim imagem deixada pelo Vista. Uma imagem de um sistema lento, pesado. Eu utilizei o Vista desde o seu lançamento e tenho uma opinião diferente a respeito. Pela minha experiência, antes do Service Pack 1, havia de fato muitos bugs; contudo, depois do SP1, não tive muito a reclamar.

Para quem não usou o Windows ao longo do tempo, pode não ficar muito clara a evolução que foi acontecendo a cada lançamento. A época dos sistemas horrorosos — Windows 95, Windows 98 —, que travavam até com espirro; a satisfação de quem, vindo da terra arrasada dos Windows 9x, experimentava o excelente, para a época, Windows 2000, vinho de outra pipa; a consolidação do NT, agora para as massas, com o Windows XP.

O Windows XP, ainda hoje, 2011, é o sistema operacional Windows mais usado (mas em franca queda), mesmo dez anos depois do seu lançamento. Foi um ponto de inflexão, afinal foi o primeiro Windows NT direcionado para o mercado doméstico. Foi o primeiro sistema Windows decente que os pobres dos mortais usuários domésticos puderam usar. A instabilidade crônica e todas as infinitas deficiências dos Windows 9x haviam acabado! Contudo, o novo caminho não foi livre de percalços. Logo no início, ele sofreu com muitos bugs e falhas graves de segurança. Com o Service Pack 2 que o que conhecemos hoje por Windows XP tomou forma.

Desde lá, o hardware foi evoluindo. Processadores domésticos com múltiplos núcleos (algo que, para o usuários domésticos, era ficção científica em 2001), discos rígidos SATA, PCI Express. Resistindo ao tempo, lá o estava o Windows XP firme.

Depois de um período de desenvolvimento excessivamente longo, saiu o Windows Vista em janeiro de 2007. Então o pior aconteceu. Complementando os bugs de lançamento, os fabricantes de PCs, que são um dos principais meios de venda do sistema operacional através do licenciamento OEM, passaram a muitas vezes, pelo menos aqui no Brasil, a oferecerem máquinas com configuração completamente inadequada para rodar o sistema com qualidade, que, é verdade, era mais exigente. Isto sozinho de cara causou uma péssima impressão para o consumidor. Some-se a isso o velho problema da montanha de crapware que vem instalada de fábrica e você tem uma explicação para o insucesso.

A situação apenas começou a mudar para o Vista quando o Windows 7 já despontava como salvador da lavoura, ou seja, era tarde demais.

Do Windows XP para o Vista muita coisa melhorou. Novos recursos, novo visual, melhor segurança. Mas nada foi suficiente frente às circunstâncias. Se você tem um sistema que é uma tartaruga, você pouco importar-se-á com o que ele traz de novidades. E aí que mora a injustiça, pois no seu lançamento o Windows Vista não teve o hardware que hoje o Windows 7 tem para fazer sucesso.

A única crítica significativa que faço ainda hoje ao Vista é o excesso de atividade de disco que ele executa (comportamento que felizmente foi muito otimizado no Windows 7). É uma situação conhecida, devido ao Volume Shadow Copy Service (VSS), usado pela restauração do sistema e pelas cópias de sombra.

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