domingo, 20 de maio de 2012

Sobre o Windows 8 e a infame interface Metro

Eu havia notado faz tempo que a interface Metro no desktop é improdutiva, inadequada e irritante. É uma "solução" para um problema inexistente. Uma interface feita para telas touch screen que foi largada no colo de quem tem um teclado e um mouse na frente. Um desastre completo.

A Microsoft está tentando se defender com o post "Creating the Windows 8 user experience" no blog Building Windows 8, invocando o papo "as pessoas não gostam de mudanças" (ahh, não sei por que isso me lembra discussões Windows x Linux...). Muito texto, porém pouco a aproveitar.

Um dos sites especializados em hardware que visito diariamente é o excelente The Tech Report. Lá Cyril Kowaliski comenta no artigo "Windows 8 frightens me, and here's why" o que estou achando ser um padrão entre entusiastas de PCs: que a interface Metro não é adequada para um desktop. Thom Holwerda do OSNews, em "What's wrong with Windows 8", acha a mesma coisa. Este que vos fala idem.

Mas existe uma coisa por trás da interface Metro, que é o negro caminho para onde a indústria caminha. Caminho que resultará em menos controle do software que roda nos dispositivos por parte dos usuários. A Microsoft segue os passos da Apple (e em menor grau do Google) com o Windows 8. A versão ARM do Windows 8 (chamada de Windows RT) rodará apenas software proveniente da Windows Store, exatamente aos moldes da Apple. Determinadas funções e APIs do sistema operacional não ficarão disponíveis para aplicações normais (podendo ser usadas apenas por programas da própria Microsoft). Ah, Marcos, mas a Apple faz isso desde sempre e ninguém reclama. Sim, mas a Microsoft apesar de tudo sempre procurou oferecer um ambiente rico para os aplicativos de terceiros. Não mais. O modelo de "App Store" é só o começo de uma lobotomização geral na computação: 28c3: The coming war on general computation (Cory Doctorow, 28th Chaos Communication Congress)

A estratégia da Microsoft é tentar sair da irrelevância nos sistemas móveis. Para isso, estão colocando o Windows RT na frente para começar a ganhar algum mercado com qualquer coisa que tenha uma tela touch screen. Eles podem se dar ao luxo de ignorar e alienar o desktop (como estão fazendo com o Windows 8) durante um ciclo de lançamentos, pois é um mercado que têm na mão. Para todos os efeitos, entusiastas e empresas têm o Windows 7 a disposição com quase uma década de suporte pela frente, então não existe risco nenhum. Um novo Windows corporativo (ou seja, com um interface sã) só precisará ser feito novamente no Windows 9 ou quem sabe até no 10.

Um comentário:

  1. A Microsoft vem, de maneira sistemática, amarrando as mãos dos desenvolvedores.

    Primeiro com o .NET, que, na minha opinião, foi um tremendo tiro no pé.

    Agora, com esse acesso limitado às APIs do sistema, a MS passou dos limites.

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