segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"Devo ligar direto na tomada?"

Devo ligar direto na tomada? Essa é uma pergunta frequente, que aparece de variadas formas, com diversos casos de fundo, em fóruns. Sempre tenho vontade de responder com:

E onde mais ligaria? Na torneira?

É impressionante como as pessoas parecem achar que aparelhos eletrônicos temem a tomada. Gente, eles foram feitos para serem ligados à eletricidade. Nossa histeria, não é de duvidar, deve ser motivo de piada em outros lugares...

Parte da confusão vem da lenda perpetuada no Brasil de que precisa haver uma porcaria de estabilizador entre os aparelhos e a tomada. Eu acreditava que o vício por tais imundícies havia diminuído depois do enorme esforço feito em vários fóruns no sentido de desmascarar tamanha besteira, porém fiquei cabreiro quando recentemente fui atrás de um protetor contra surtos decente para comprar: uma dificuldade! (acabei comprando o Clamper Multi Energia) Então, levando em conta que nossa indústria ainda não quer produzir bons protetores contra surtos em larga escala, não é, pelo menos na cabeça deles, um mercado considerável. Até quando a ignorância reinará?

Existe outra possibilidade. Agora, os equipamentos milagrosos da vez passaram a ser os UPS, nossos nobreaks. Não é bem assim. UPS, dos baratos, devem ser escolhidos com base em sua relação ganho/malefício, não custo/benefício. E possuem um geralmente esquecido custo de manutenção. As baterias não duram para sempre!

Na maioria das vezes, um protetor contra surtos é o melhor:

- Desde 2010 tudo vendido aqui usa o padrão NBR 14136. Não vejo problema usar um adaptador caso sua tomada seja do padrão Frankenstein anterior (exceção aqui), compatível com NEMA 5-15P. Se for possível, troque a tomada por uma nova. É altamente recomendável aterrar sua instalação elétrica, dimensionar bem a fiação e verificar a polaridade (considerando instalações monofásicas):


- Se for ligar PCs, troque fontes bivolt por modelos com PFC ativo. Dá para continuar até com uma fonte vagabunda de R$ 40, mas só a entrada full rage das fontes com PFC ativo paga-se com juros. Vale a pena.

- Adquira um protetor contra surtos de boa qualidade. Nosso mercado está cada vez pior, é verdade. Antigamente, tínhamos dois (!) protetores baratos e fáceis de achar: o SMS Clean Energy e o Clone F8 Plus. Destaque para o Clone. O Clean Energy não tinha uma proteção das melhores e possuía um circuito desnecessário para desligamento das saídas. O primeiro saiu de linha. Já do segundo vem um container por ano e as peças desaparecem das lojas em questão de horas. Restaram os poucos (e mais caros) modelos da Upsai e Clamper. O Upsai FHT-1200 não me agrada, pois, pelo preço, deveria possuir fusíveis térmicos. Quem sabe algum dia a APC volte a vender seus protetores por aqui e tenhamos mais variedade e menores preços.

- Ligue os aparelhos no protetor e pare de pôr minhoca na cabeça. Fontes full rage dão risada de qualquer variação na entrada e desarmam quando não conseguem dar conta. Fontes chaveadas hoje em dia são incrivelmente resistentes. Para ocasiões em que sua robustez possa ser posta à prova — surtos de tensão —, os varistores do protetor atuarão como metal de sacrifício e salvarão o que nele estiver ligado.

Isso vale para qualquer eletrônico. PCs, TVs, videogames, etc. As fontes chaveadas são em essência muito parecidas.

Um comentário:

  1. No Brasil o culto aos estabilizadores começou ainda nos anos 80 e continua forte até hoje. Realmente é difícil colocar na cabeça desse povo que o PC estará bem melhor servido se ligado diretamente na tomada ao invés desses estabilizadores vagabundos.

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