quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mudanças no Fedora 16 (III)

No Fedora 15, o systemd estreou como init padrão. Porém poucos daemons (acho que na verdade nenhum) tiveram seus scripts de inicialização convertidos para os arquivos unit nativos ou foram adaptados para usarem ativação por soquete. Como o systemd fornece compatibilidade com os scripts legados SysV, apesar da novidade, o systemd não é aproveitado em sua totalidade no F15.

O comitê de engenharia do Fedora (FESCo) decidiu que, para a versão 16, todos os serviços presentes no live CD obrigatoriamente deverão ser adaptados para usarem os arquivos unit do systemd:

http://fedoraproject.org/wiki/Features/SysVtoSystemd
(está desatualizada a página)

Um trabalho e tanto, basta acompahar esse bug report que foi criado para gerenciar o que está pendente:

https://bugzilla.redhat.com/show_bug.cgi?id=713562

Para exemplificar o que isso significa, compare o script SysV que gerencia o Squid no Fedora 15 com o arquivo unit (.service) que será usado no Fedora 16.

F15
#!/bin/bash
# chkconfig: - 90 25
# pidfile: /var/run/squid.pid
# config: /etc/squid/squid.conf
#
### BEGIN INIT INFO
# Provides: squid
# Short-Description: starting and stopping Squid Internet Object Cache
# Description: Squid - Internet Object Cache. Internet object caching is \
#       a way to store requested Internet objects (i.e., data available \
#       via the HTTP, FTP, and gopher protocols) on a system closer to the \
#       requesting site than to the source. Web browsers can then use the \
#       local Squid cache as a proxy HTTP server, reducing access time as \
#       well as bandwidth consumption.
### END INIT INFO


PATH=/usr/bin:/sbin:/bin:/usr/sbin
export PATH

# Source function library.
. /etc/rc.d/init.d/functions

# Source networking configuration.
. /etc/sysconfig/network

if [ -f /etc/sysconfig/squid ]; then
 . /etc/sysconfig/squid
fi

# don't raise an error if the config file is incomplete
# set defaults instead:
SQUID_OPTS=${SQUID_OPTS:-""}
SQUID_PIDFILE_TIMEOUT=${SQUID_PIDFILE_TIMEOUT:-20}
SQUID_SHUTDOWN_TIMEOUT=${SQUID_SHUTDOWN_TIMEOUT:-100}
SQUID_CONF=${SQUID_CONF:-"/etc/squid/squid.conf"}

# determine the name of the squid binary
[ -f /usr/sbin/squid ] && SQUID=squid

prog="$SQUID"

# determine which one is the cache_swap directory
CACHE_SWAP=`sed -e 's/#.*//g' $SQUID_CONF | \
 grep cache_dir | awk '{ print $3 }'`

RETVAL=0

probe() {
 # Check that networking is up.
 [ ${NETWORKING} = "no" ] && exit 1

 [ `id -u` -ne 0 ] && exit 4

 # check if the squid conf file is present
 [ -f $SQUID_CONF ] || exit 6
}

start() {
 probe

 parse=`$SQUID -k parse -f $SQUID_CONF 2>&1`
 RETVAL=$?
 if [ $RETVAL -ne 0 ]; then
  echo -n $"Starting $prog: "
  echo_failure
  echo
  echo "$parse"
  return 1
 fi
 for adir in $CACHE_SWAP; do
  if [ ! -d $adir/00 ]; then
   echo -n "init_cache_dir $adir... "
   $SQUID -z -F -f $SQUID_CONF >> /var/log/squid/squid.out 2>&1
  fi
 done
 echo -n $"Starting $prog: "
 $SQUID $SQUID_OPTS -f $SQUID_CONF >> /var/log/squid/squid.out 2>&1
 RETVAL=$?
 if [ $RETVAL -eq 0 ]; then
  timeout=0;
  while : ; do
   [ ! -f /var/run/squid.pid ] || break
   if [ $timeout -ge $SQUID_PIDFILE_TIMEOUT ]; then
    RETVAL=1
    break
   fi
   sleep 1 && echo -n "."
   timeout=$((timeout+1))
  done
 fi
 [ $RETVAL -eq 0 ] && touch /var/lock/subsys/$SQUID
 [ $RETVAL -eq 0 ] && echo_success
 [ $RETVAL -ne 0 ] && echo_failure
 echo
 return $RETVAL
}

stop() {
 echo -n $"Stopping $prog: "
 $SQUID -k check -f $SQUID_CONF >> /var/log/squid/squid.out 2>&1
 RETVAL=$?
 if [ $RETVAL -eq 0 ] ; then
  $SQUID -k shutdown -f $SQUID_CONF &
  rm -f /var/lock/subsys/$SQUID
  timeout=0
  while : ; do
   [ -f /var/run/squid.pid ] || break
   if [ $timeout -ge $SQUID_SHUTDOWN_TIMEOUT ]; then
    echo
    return 1
   fi
   sleep 2 && echo -n "."
   timeout=$((timeout+2))
  done
  echo_success
  echo
 else
  echo_failure
  if [ ! -e /var/lock/subsys/$SQUID ]; then
   RETVAL=0
  fi
  echo
 fi
 return $RETVAL
}

reload() {
 $SQUID $SQUID_OPTS -k reconfigure -f $SQUID_CONF
}

restart() {
 stop
 start
}

condrestart() {
 [ -e /var/lock/subsys/squid ] && restart || :
}

rhstatus() {
 status $SQUID && $SQUID -k check -f $SQUID_CONF
}


case "$1" in
start)
 start
 ;;

stop)
 stop
 ;;

reload|force-reload)
 reload
 ;;

restart)
 restart
 ;;

condrestart|try-restart)
 condrestart
 ;;

status)
 rhstatus
 ;;

probe)
 probe
 ;;

*)
 echo $"Usage: $0 {start|stop|status|reload|force-reload|restart|try-restart|probe}"
 exit 2
esac

exit $?

F16
[Unit]
Description=Squid caching proxy
After=syslog.target network.target nss-lookup.target

[Service]
Type=forking
EnvironmentFile=/etc/sysconfig/squid
ExecStartPre=/usr/libexec/squid/cache_swap.sh
ExecStart=/usr/sbin/squid $SQUID_OPTS -f $SQUID_CONF
ExecReload=/usr/sbin/squid $SQUID_OPTS -k reconfigure -f $SQUID_CONF
ExecStop=/usr/sbin/squid -k shutdown -f $SQUID_CONF
PIDFile=/var/run/squid.pid

[Install]
WantedBy=multi-user.target

O Fedora 16 Beta saiu faz poucos dias e a conversão para os arquivos unit está bem avançada. Não será possível converter todos os daemons presentes na distribuição, mas boa parte deles já o foi. Os arquivos unit quase sempre removem qualquer shell script antes envolvido, o que torna o gerenciamento dos daemons mais rápido e robusto.

Além de simplificar, os arquivos unit não são amarrados às distribuições. O mesmo arquivo unit pode ser usado em qualquer distribuição que use o systemd. A propósito, a meta é que eles sejam distribuídos pelo upstream -- o que já acontece com alguns daemons.

Além da conversão para os aquivos unit, o uso da ativação por soquete é outro recurso que o systemd disponibiliza. Para entender como funciona, recomendo a leitura deste post de Lennart Poettering, onde ele mostra como adaptou o CUPS:

http://0pointer.de/blog/projects/socket-activation2.html

Muito interessante. No caso do CUPS, não tem por que manter o daemon ativo, nem muito menos inicia-lo durante o boot! Com ativação por soquete, ele será ativado automaticamente quando você mandar imprimir alguma coisa. Aí que está a diferença com a implemtação atual do SysVinit, Upstart, etc. Com eles você tem apenas duas opções: ou ativa ou desativa o daemon. Se desativar, não pode usar o serviço. Com a ativação por soquete do systemd é tudo sob demanda. O daemon não é iniciado, mas o soquete está lá; quando aparecer algo para imprimir, daí sim o systemd inicia o daemon e todos ficam felizes.

Ativação por soquete envolve modificar o código upstream, ou seja, o programa de origem. Por isso, adaptar os programas para usá-la será um processo mais longo. Por enquanto, além do CUPS, poucos daemons foram adaptados, entre eles rsyslog, avahi, dbus. A equipe do Fedora/Red Hat sempre tenta trabalhar junto ao upstream, enviando as modificações que fazem.

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